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Fofo

por Fernando Zocca, em 06.03.15

 

 

 

 

 

Ursinho de pelúcia.jpg

 

Meu amigo, quando a urucubaca resolve acercar-se da sua ilustre pessoa é assaz difícil a obtenção dos bons agouros.
Sabe aquela situação em que você precisa só de meio ponto pra ser aprovado na escola, dois ou três benditos votos pra conquistar a reeleição, a colocação daquele processo no alto da pilha, lá no cartório, a fim de se sentir abençoado, e vê que isso tudo não se realiza?
Chato, né? Mas calma: não há nada bem ruim, que não possa piorar ainda mais.
Diga-me se você navega num mar rosas quando perde uma das lentes dos óculos, e o seu oculista preferido, insubstituível, está de férias; seus lindos dentes, responsáveis pela segurança nos relacionamentos pessoais, precisam de substitutos à altura, mas o protético está em Nova Iorque, curtindo um casacão de peles, ao lado daquela loirança proibidíssima.
E então? Acha que ainda não pode piorar? É claro que sim. Imagine um infarto no miocárdio, um AVC, um atropelamento, cuidadosamente plenejado por aquela pessoa que te quer tão bem sofrido.
Olha que não precisa muito pra você despertar a má vontade alheia. Dependendo do lugar, é só não participar das rodas de fofoca, beber aquela pinga no final das tardes ou não consertar o pneu da sua bicicleta no doidinho avassalador.
Conta pra mim, se você está com a aura dos sortudos quando aquele parente fofo, corrompendo tudo o que é sagrado, lhe deixou sem um mísero tostão da herança.
Veja como isso tudo felicita os que não te querem. Você, é claro, não deve decepcioná-los mostrando a resignação com a frase: "o que é uma ferida a mais pra quem já está lazarento?", pois o que está ruim pode ficar bem pior.
A turma dos que querem ver o circo pegar fogo é grande, meu amigo, imensa.

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publicado às 15:52






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