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A Rotina Interiorana

por Fernando Zocca, em 10.07.12

 

 

Assistindo hoje pela manhã ao mais novo programa da Rede Globo, o Encontro com Fátima Bernardes, um dos temas me chamou mais a atenção.

Foi o das blogueiras que criaram um espaço na internet para noticiar as viagens que faziam com os filhos.

Eu particularmente não tenho tanta experiência nos deslocamentos pela geografia, entretanto posso dizer que haveriam dois tipos de incursão,  fora do território próprio.

O primeiro seria aquele com os objetivos determinados, baseados em compromissos sérios e que importariam em bastante responsabilidade.

O segundo tipo seria aquele em que se passeia sem a preocupação com horário da chegada, com os roteiros ou objetivos muito especificamente definidos.

Por falar em viagem, no domingo passado (8/7) fui à São Paulo onde tinha algo muito sério pra fazer.

Sai de Piracicaba ás 07h30min, ou melhor, a partida do ônibus seria nesse exato momento, mas por um imprevisto qualquer, saímos 15 minutos mais tarde, sem que esse pequeno atraso, pudesse causar sérios prejuízos aos demais passageiros.

A temperatura, tanto dentro quanto fora do ônibus, era baixíssima. Todos, apesar de muito bem agasalhados, não deixaram de sentir o desconforto pela ausência do calor.

Você veja que nessa época do ano - inverno - o amanhecer é mais tardio. Passa-se mais tempo às escuras, ocorrendo a chegada do anoitecer bem antes do horário que isso ocorre no verão.

Mas sacolejando muito, logo chegamos à estrada e, sem muitas complicações posteriores, estávamos na Estação Rodoviária do Tietê, na capital paulista.

A vantagem que se tem quando se chega a um compromisso, com bastante antecedência, é que as chances de não perder a oportunidade, são maiores, em caso da ocorrência de imprevistos.

Então, é bem melhor que sobre, do que falte o tempo, para estar presente no lugar certo, naquele momento exato, previamente definido.

Assim sendo, tendo chegado bem antes do que o necessário, para o cumprimento da obrigação, restou a dúvida de como usar as horas sobrantes.

Uma das alternativas que se apresentavam era a de explorar o local perambulando pela Rodoviária, conhecendo o que ficava onde. Outra era a de sentar-se confortavelmente concentrando-se na leitura de um livro.

Quando me acomodei, num daqueles assentos de espera, na manhã fria de domingo, notei que já havia um senhor de cabelos brancos, muito bem vestido, que se destacava por seu cachecol exuberante de seda, e que me disse, abrindo o caderno de esportes do Estadão:

- A gente não "somos" o Tufão, mas também curtimos umas letras, é ou não é?

É claro que nem todos os que gostam de livros e leitura teriam a mesma sorte do que o personagem Tufão, vivido por Murilo Benício, na novela Avenida Brasil, que tem apaixonado muita gente. Mas a observação alertou as demais pessoas do entorno que iniciaram comentários sobre o marido da Carminha.

Bom, passados os 60 minutos, ou mais, de leitura você já fica com os quartos doentes. Ou seja: ou você se movimenta, iniciando uma caminhada, ou os glúteos manifestam-se desalentados.

Tomando então um taxi, lá fui eu em direção ao nosso objetivo, mas não sem antes de o motorista ver garantida a validade do cartão de crédito que eu lhe apresentava.

Bem desconfiado da existência do numerário, o profissional, num procedimento investigativo, parou o carro no meio de uma via, não se importando muito com os demais motoristas.

Confortado pela autenticidade do documento, seguimos viagem trocando algumas palavras.

Aborrecido com a vitória do Anderson Silva, o taxista apostaria que o Ministério Público logo entraria com uma ação para proibir esse tipo de esporte, garantindo que o que tinha mesmo graça, eram as lutas livres da década de 60.

Sem entrar no mérito da questão e desejando evitar polêmicas, abstive-me de comentar o assunto, mas afirmei, entretanto, que a vitória do lutador brasileiro, sobre o norte-americano Chael Sonnen, foi merecida.

Tendo chegado ao destino e depois de horas seguidas, cumprindo com as obrigações, logo vi-me na rua novamente quando a noite já dominava o cenário da Avenida Liberdade.

Por volta da meia-noite, em casa, apesar do frio terrível, o banho bem quente, seguido de uma refeição leve, teve a propriedade de nos reconduzir à velha rotina interiorana.

 

 

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publicado às 20:46


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