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O Metrô e o Trem

por Fernando Zocca, em 09.09.13

 

 

Você já percebeu como aumentaram as notícias sobre os crimes contra o patrimônio?


Pode reparar, ao navegar pela internet, ler os jornais, ver a TV e participar dos bate-papos das reuniões festivas, que os furtos, os roubos, e até mesmo as depredações, sofreram um considerável acréscimo nos espaços das mídias.


Atribuir esse fenômeno a um só fator seria limitar o  conhecimento público sobre as causas da inflação desses crimes.


Sem dúvida que a impunidade é um reforçador importante para as decisões que levam ao crime.


A gente nota também que grande parte das sentenças condenatórias referem-se a réus pobres, marginalizados e sem a suficiente defesa nos processos.


Por outro lado você vê, constantemente, os chamados criminosos de “colarinho branco”, isto é, aqueles que cometem crimes sem praticamente deixar rastros - crimes burocráticos - pavoneando-se folgadamente, na cidade ou no exterior, com os produtos dos seus deslizes.


As licitações públicas são alguns dos campos onde determinados senhores de “colarinho branco” conseguem fazer o pé-de-meia deles e até das futuras gerações da família.


Então o empresário que financia a campanha de determinado candidato a emprego público eletivo, quando vê seu escolhido abençoado com a vitória, sabe que, no mínimo, ganhará tantas licitações quantas forem necessárias para a recuperação, com juros e correção monetária, de todas aquelas importâncias emprestadas ao cidadão eleito.


Nesse jogo de faz de conta, que é a licitação pública, vale até combinar, entre todas as empresas participantes, que mesmo as perdedoras terão direito de auferir lucros ao atuarem como terceirizadas.


Quando uma financiadora, de determinado candidato, contrata as demais, para agirem também nos serviços, evita a interposição de processos judiciais que anulariam as concorrências.


Percebe-se então a praticamente inutilidade da lei que normatiza a escolha das empresas particulares pelo poder público.


Então você, meu arguto leitor pergunta: mas o que tem a ver o ladrão que furta ou rouba um estabelecimento comercial ou bancário, com o prefeito, o vereador, o deputado federal que subtrai para si, o numerário do povo, por meio dos superfaturamentos decorrentes das licitações viciadas?


É que os crimes praticados, tanto pelos ladrões comuns, quando por aqueles que gerem a cidade são os mesmos.

 

Uma das diferenças entre os ladrões "pés-de-chinelo" e os de "colarinho branco", geralmente, está na impunidade destes últimos.


Daí você, meu querido leitor, que ainda não captou a motivação dessas manifestações populares nas ruas, ocorridas nestes últimos tempos, não pode, a partir de agora, alegar ignorância.


O povo quer ver os culpados pelos crimes contra os cofres públicos exemplarmente punidos. Sejam eles mensaleiros ou privatizadores tucanos.

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publicado às 17:29


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