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Questão de autoestima

por Fernando Zocca, em 22.07.14

 

A frase "a gente não é ninguém" expressa muito bem o grau de autoestima que alguém tem de si mesmo. E quando a convicção é muito forte, a tendência é a de tentar convencer os demais de que também não valem nada. 

Essa auto-desvalorização faz parte do desamor que algumas personalidades nutrem por si mesmas. 

Então, veja bem, meu amado leitor: quando a pessoa não satisfaz nem mesmo de si própria, a propensão é a de desprezar também as outras que vivem ao redor. 

O indivíduo só gosta dos outros da mesma forma que ama a si. Se ele acha que não é ninguém, que não vale nada, além de se revoltar contra quem se considera, quem se respeita, tenderá a reduzir o outro a níveis nulos.

Então as opiniões de quem não se considera, sobre aqueles que se julgam menos ruins, são quase sempre semelhantes a "ele só quer aparecer", "pensa que é melhor do que os outros", "quer ser o bom" ou "quer dar uma de gostoso".

Essa postura mental, mais algumas atitudes agressivas, muita impunidade e omissão dos poderes públicos, são fontes de conflitos numa comunidade. E não é raro haver a prática de crimes como as ameaças de morte, agressões, calúnia, difamações e homicídios.

É corriqueira a criação de versões sobre quem não se simpatiza. "Se ele não tem nenhum pecado, a gente inventa" não seria um lema impossível de povoar as tais mentes.

Perceba que é muito mais difícil mudar a si mesmo do que destruir o que destoa, se destaca.

Por menos que a pessoa julgue ser, ela se esquece de que é uma filha de Deus, recebeu o batismo; e que se não contribui voluntariamente para o bem da comunidade, haverá, um dia, de contribuir. 

Excetuando as deficiências morfológicas, perfeitamente compensáveis pelos procedimentos médicos especializados, as falhas culturais podem muito bem ser supridas pelas escolas especiais, evangelização e paciência que dependem, é claro, só dos interessados.

O joio e o trigo podem até ser semelhantes; mas o trigo alimenta, o joio não.  

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publicado às 14:45