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Coisas que enojam

por Fernando Zocca, em 03.12.14

 

 

Não seria difícil concluir que, por baixo - na região do subconsciente - dos surtos psicóticos que induziram - por exemplo - a agressões da filha do pai adúltero, ou das reações histéricas, durante a recepção das notícias do falecimento de parente próximo, haveriam traumas dolorosos terríveis.

Essas reações emocionais violentas seriam formas de protesto - de indignação até -, contra o que se pode chamar da repressão agressiva considerada injusta.  

Poderíamos compará-las ao rompimento de uma barragem, quando então toda aquela enxurrada emocional transbordaria causando as consequencias condenáveis. 

Até mesmo alguns autores do crime de rixa que, cercando a casa do vizinho, promovendo o maior banzé-de-cuia, quase derrubando o portão da casa de quem não tinha nada a ver com as quizumbas familiares antigas, teriam em suas mentes, de "pavio curto", históricos de trauma.    

É indispensável que, com o objetivo da manutenção da paz na rua, no quarteirão e no bairro, haja a participação mais ativa de alguns segmentos importantes da sociedade.

Um deles seria o responsável pela segurança pública. As autoridades policiais, tanto civil, quanto militar, devem estar atentas para a identificação dos verdadeiros psicóticos criminosos do local.

Ao poder Judiciário cabe o julgamento dos casos levados ao seu conhecimento, tendo em consideração que o exercício arbitrário das próprias razões, ou o linchamento, não podem, de forma alguma, substituir a prestação jurisdicional, mesmo que os promotores das rixas aleguem serem culpadas as vítimas, ora assediadas.

Nos regimes democráticos todos têm direitos. Inclusive os loucos. Mas, é claro, com algumas restrições impostas pelas leis. Por exemplo: o cidadão não pode, ao instalar um compressor de ar, junto à parede do imóvel do seu vizinho, provocando trepidações e rachaduras nas paredes, só porque teria três filhos pra criar.

Por causa dessa sua incumbência - de criar os filhos -, não pode também o tal vizinho, fazer todos os demais moradores do local, respirar a tinta com as quais ele pintaria os automóveis na sua funilaria.

E o que dizer do doido que, invadindo as madrugadas, fazendo o maior escarcéu com aquele projeto de banda musical, induzindo depois os parentes, e demais autoridades a acreditarem que os incomodados deveriam se retirar?

Está certo o maluco, ou deficiente auditivo, achar que por ele gostar de um determinado gênero musical, todos os demais à sua volta também gostarão? 

E com esse tipo não haveria escolha: se não gosta desta ou daquela música tem de gostar, na marra.

E o que falar da tese enojante de que os prejudicados devem ficar quietos sob pena de tudo piorar?

A gente não pode deixar de crer que esse comportamento opressor, autoritário e injusto seja o resto daquele que governou o Brasil de 1964 até 1985.

Chega de opressão. Chega de loucura.    

 

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publicado às 12:54

Só Grogue Excede

por Fernando Zocca, em 10.05.11


Grogue não era livro de matemática, mas também estava cheio de problemas. E por pensarem ser ele incapaz de resolvê-los a contento, Lola Ola, Edgar D. Nal e Narcíseo, o louco, iniciaram uma campanha objetivando interná-lo na Clínica de Repouso do doutor Brady K. Ardia.


Uma das primeiras providências que tomaram foi convocar a seita maligna do pavão endoidecido, Charles Brochon, o Charles Bronson da Vila Dependência, Luisa Fernanda, a arruinada, e vovó Bim Latem, todos vizinhos do perseguido, numa reunião vespertina nas bordas da piscina de águas verdes da casa de Luísa Fernanda.


Constava dos planos a destruição do Grogue por meio da maledicência, calúnia e armadilhas; com a disseminação de panfletos espúrios planejavam lançar contra o Van a opinião pública da cidade.


Luisa Fernanda rascunhou numa folha apoiada nos joelhos, o texto do folheto a ser impresso, os seguintes dizeres:


“Grogue, o primeiro mestre Mundial das Forças Energéticas Constrói o inédito Centro Energético do Mundo.


1° Mestre das forças Emergentes Mundiais. Criador do 1º campo energético mundial em Tupinambicas das Linhas. Cidadão de importância na sociedade Tupinambiquence, no campo energético.


Caminha 12 horas diárias na captação de Energia Cósmica, Piramidal, Extra Terrestre, Magnética e solar.


Grogue, dono de um dos maiores Q.I. do Brasil: 0,0053 e possuidor de uma forte Áurea, elevando o nome de Tupinambicas das Linhas a nível mundial no Campo Energético.


Brevemente, Grogue estará no programa do Ratinho, para comprovar todas as suas forças.


Não existe imitações em matéria científica.


Não existe montagem.


Grogue querido da alta sociedade Tupinambiquence.”


Depois de rascunhado, o documento foi posto à apreciação dos demais integrantes da comissão de submissão da seita maligna do pavão louco dos infernos.


Narcíseo foi contra o texto dizendo haver nele muitas incorreções; mas a vovó Bim Latem, do alto da experiência dos seus setenta anos e, mais de cinquenta só de aposentadoria no serviço público, ponderou haver naquela manifestação de contrariedade, o fato de Narcíseo achar feio tudo o que não fosse espelho e, por isso mesmo desconsiderou sua fala, autorizando a impressão imediata do volante.


Vencida a primeira etapa Lola Ola disse que ensinaria uma simpatia para acabar com o Grogue. Era assim:


Todos deveriam pegar um cofrinho onde se guarda moedas e colocar ao lado dele uma figa que tivesse o polegar proeminente.


Ninguém entendeu muito bem o significado, mas Lola garantiu que a simpatia chamada “o dedão no cofrinho” visava quebrantar o Grogue, aquele xarope mais odiado de Tupinambicas das Linhas.

 
Charles Brochon, depois de dominar aquela sua tosse tabágica, disse:


- “Nói” vai “cabá” com ele. Já mandei “acertá” as lata dele. “Nói” vai “enchê” o rabo dele com tinta spray. Ô nego lazarento!


Luisa Fernanda pigarreando disse com autoridade, percebendo que seu rosto afogueou-se:


- Já mandei o “Nata cu de burro” injetar vírus no computador velho do folgado. Se aquela coisa já era lerda agora vai ficar pior. E todos os arquivos serão apagados. Essa gente não conhece o poder da seita maligna do pavão.


Todos aplaudiram as manifestações de ódio contra o Van Grogue.


Para finalizar a vovó Bim Latem coçando a xereca disse:


- É independência ou pancada! Não tem mais contemporização. Esse homem quase derrubou o governo do Jarbas. Será o Benedito?


E assim, sob a indignação geral, naquele final de tarde, a vovó Bim Latem deu por encerrada a primeira reunião da comissão de submissão da seita maligna do pavão-muito-bem-louco.


Grogue que pusesse as barbas de molho.


03/09/2007.

 

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publicado às 20:28