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Pagando com Ingratidão

por Fernando Zocca, em 27.12.12


 

Mas não é mesmo verdadeira a afirmativa de que demonstra incoerência e muita ingratidão, aquele que usufruindo de todos os benefícios dos favores recebidos, dispõe contra o benfeitor?


Agir assim é, seguramente, o mesmo que atraiçoar aquele que proveu o traidor com muita honra e abastança material.


Não comete ato mais vil e covarde a adúltera que engana a quem deveria respeitar.  O comportamento de quem age desta forma assemelha-se à corrupção da gasolina, dos remédios, da falsificação de documentos e da instalação insidiosa da doença.


Por outro lado, aquele que alçou a pobre alma infeliz ao topo, na escalada da ascensão social, não teria cometido ato mais incauto do que ingerir bebida "batizada", mutilar-se ou ter disparado contra o próprio peito.


Não é absurdo afirmar que as ações do ingrato incoerente assemelham-se às do artilheiro que, no jogo final do campeonato, marca nos acréscimos da partida, o gol contra da derrota.


O que desejaria provar o ingrato? Que é mais realista que o rei?


Aqui em Piracicaba a politica praticada pelo PSDB, especialmente pelo senhor Barjas Negri e apoiadores, pode-se dizer com muita segurança, quase enlouqueceu uma cidade inteira.


Nesses oito anos consecutivos, em que todas as verbas doadas pela união e estado, foram usadas no consumo e manipulação do concreto, tanto o ensino, como a segurança e o transporte coletivo, arruinaram-se de maneira jamais vista em toda história desta cidade.


As reprovações das contas municipais, pelo tribunal competente, e as consequentes multas aplicadas ao senhor Barjas Negri, são provas irrefutáveis de que as destinações das verbas recebidas não foram acertadas.


A politica do executivo tucano anulou completamente o poder legislativo tendo mantido a casa de leis, dirigida especialmente pelos senhores José Aparecido Longatto e João Manoel dos Santos, tão amarrada quanto subserviente.


Para os desavisados é bom noticiar que na lista das prioridades do município, não consta o indispensável bem-estar da população, só obtido com a melhoria da segurança pública, dos transportes e do atendimento nos postos de saúde.


Veja no vídeo uma entrevista concedida pelo presidente Lula aos blogueiros de Brasília.



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publicado às 07:01

Sofrendo no Parque Infantil

por Fernando Zocca, em 27.05.10

 

                            Delsinho, o cabeleireiro piriguete, morava há muito tempo com a irmã mais velha. Apesar de dividirem o mesmo teto, eles quase não se viam. Não obstante a amizade que os unia, uma das manias do mocinho, de cabelos encaracolados, vexava a mana barriguda.

 

                        Delsinho, o lindinho, habituara-se a vestir as roupas da falecida mãe. Essa mania teve início logo depois do falecimento da boa velhinha. Diante do guarda-roupa da mamãe, ele teria empacado num acesso de dúvidas: doar ou não doar as vestimentas da finada?

 

                        O mocinho delicado trabalhara, quando muito jovem, na Companhia Tupinambiquence de Força e Luz. E fora lá naquele ambiente, rodeado por mesas, máquinas de escrever, calculadoras e papéis que o menino conheceu o Fofão.

 

                        Fofão trabalhava na oficina mecânica do Nero careca, onde lavava as peças com gasolina. Por ser aprendiz, do experiente mecânico Nero, começara no ofício bem de baixo: lavando as peças dos motores desmontados.

 

                        No afã de telefonar para a oficina do Nero, buscando saber se esse ou aquele veículo, da Companhia Tupinambiquence, estava pronto ou não, foi que as almas de Fofão e Delsinho se encontraram.

 

                        Numa tarde, depois de ouvir duzentas vezes, do seu chefe as ordens para que telefonasse à oficina, a fim de saber se uma caminhonete ficara pronta, Delsinho atendido por Fofão, sentiu-se enamorado pela voz que ouvia ao telefone.

 

                        Então tomado por um enlevo assaz arrebatador, Delsinho resolveu ir pessoalmente à oficina do Nero, onde estava o dono da mais bela voz, que jamais ouvira em toda a sua vida.

 

                        E foi assim que aquele caso entre Delsinho e Fofão teve início. Durante os primeiros meses do relacionamento algumas atitudes, a fim de harmonizar as preferências, eram cobradas por ambos.

 

                      Fofão mantinha um bigode fino margeando o lábio superior. Mesmo com as reclamações do companheiro, durante os passeios de carro, nas tardes de domingo, o dono do bigode recusava-se a raspá-lo.

 

                        - Esse bigodinho ridículo me faz lembrar o diretor do Parque Infantil, lá na Rua Botadentes, onde minha tia me levava pra brincar com os moleques – dizia Delsinho acomodado no banco do carona, daquele Simca Chambord amarelo e branco, legítima propriedade do Fofão, numa tarde de domingo do outono de 1962.

 

                        - Ah, não esquenta Delsinho. Já não chega essa mania de andar pra cima e prá baixo com esse roupão branco ridículo? – respondia Fofão em defesa dos seus pêlos supralabiais.

 

                        - Olha, mas aquele homem era mesmo muito chato. Ele vinha logo com uma prancheta na mão esquerda, uma caneta furreca na direita e um apito pendurado no pescoço.  Quando chegava no meio da molecada gritava com todo mundo dividindo o bolo de gente em duas turmas. Uma leva ia pra um lado do campo e a outra pr´outro. E sabe o que ele fazia? Ele ficava no meio, entre os dois bandos segurando uma bola de capotão acima da cabeça das hordas. E quando ele soltava aquela bola, meu amigo, não adiantava assoprar o apito. Que saísse da frente que era chute pra todo lado.

 

                        - Você exagera, ô Delsinho. Para com isso. – reclamava Fofão, engatando uma terceira marcha.

 

                        - Nada! O tal saia pulando feito uma gazela e subia nos primeiros degraus da arquibancada que circundava o campo. Lá de cima, a salvo, ele apitava e apitava aquela coisa horrorosa. Teve uma hora que eu não agüentei. Pedi pra sair. Eu não sabia qual era o meu time. Era tudo misturado. Não tinha uniforme. Quando eu pegava a bola, alguém pedia pra eu passar. Eu passava e o cara era do time contrário. Puta reclamação! Eu não suportei e pedi pra sair. Fiquei sentado vendo a zoação. Deus me livre!

 

                        - Ah, para Delsinho! – Olha estamos passando em frente ao prédio da prefeitura.

 

                        - E depois que tava todo mundo suado, cansado, com o corpo cheio de terra o cara mandava todos ficarem numa fila enorme. Eles davam ou pão com banana ou pão com leite moça. Mas não era genial?

 

                        - Que vida hein Delsinho?

 

                        - Ah, olha, nem sei. Um dia até pensei em morar na Holanda. Lá tem tamancos, diques e pintores famosos.

 

   

 Não aguento mais esperar por alguém...

 

Repetição de indébito: simples ou em dobro?

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publicado às 21:12