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Retardatários

por Fernando Zocca, em 26.06.15

 

 

 

 

 

Muitas coisas, mas muitas coisas mesmo, mudaram de uns tempos pra cá.
Esse fenômeno é comum, natural; esquisito seria se isso não acontecesse.
Por exemplo: há algum anos passados não era admissível a permanencia dos cães nas ruas. Quando a administração percebia, fazia entrar em ação a temível "carrocinha" capturadora dos animais.
As crianças que deixavam seus cachorros pelas calçadas desesperavam-se e, esgoelando, corriam atrás dos capturadores, objetivando a soltura dos bichos.
Muitas vezes não tinha choro, nem vela. A cachorrada virava sabão. E o fato servia de lição para os que quisessem ter animais de estima, não se importando, entretanto, em deixá-los abandonados nas vias.
O tempo passou e hoje os cachorros dominam os quarteirões. Há quem mantenha ração e água defronte suas casas para o sustento dos bichos que, inclusive, dormem ao relento.
O pedestre precisa ter o cuidado para não ser atacado pelas feras e também ser delicado ao afastar as investidas, porque pode vir a se complicar sob o pretexto dos maus tratos aos animais.
Outra novidade, que encontra resistência no entendimento de algumas pessoas, é a validade dos alimentos.
O pessoal mais antigo, quando notava carunchos no arroz ou feijão, expunha-os ao sol depois do quê julgavam bons para o consumo.
Mas a mudança mais sensível foi a da não permissão do trabalho infantil.
Indignados com o que veem hoje muita gente exclama: "imagine só... No meu tempo de criança eu tinha de trabalhar pra ajudar em casa... Hoje essa criançada vive pelas praças sem fazer nada, cometendo barbaridades contra os outros..."
Se esse pessoal tem dificuldade para perceber, aceitar e adotar as mudanças comportamentais, imagina o grau de estranheza que causaria a visão da utilidade dos computadores, telefones celulares e tablets.
A indignação dos retardatários da compreensão não impedirá o avanço das mudanças.

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publicado às 13:15

Bens públicos

por Fernando Zocca, em 29.10.14

 

 

 

Excetuando os casos evidentes de idiotia, é bastante difícil acreditar que ainda existe quem nunca tenha ido ao cinema.

Você pode não acreditar, mas há sim, quem não consiga ler e compreender notícias simples de jornal. 

Os que tiram proveito econômico, ou politico, desse tipo de fenômeno garantem que a ausência de entendimento dos noticiários da TV, ou do rádio, não passa do resultado da concentração das imensas doses de preguiça.

Sim, mas a preguiça, - dirá meu astuto e preclaro leitor - pode ser muito relativa. Ou seja, a sua conceituação depende do ponto de vista de quem a conceitua. 

Por exemplo: para o cortador de cana, vagabundo é todo aquele que não trabalha como ele o faz. 

Assim, para o sujeito que usa os músculos para ganhar a vida, todos os demais como artistas, professores, cientistas, médicos, advogados e engenheiros, não deixam mesmo de ser os verdadeiros "braços curtos". 

Entretanto acredita-se que a educação - apesar de ser impossível fazer funcionar corretamente um bólido de fórmula 1, com motor de fusca 1600 - possa ser o caminho para a pacificação de certos trechos do bairro turbulento.

Dessa ideia surge a noção de que "quem nasceu goiabeira nunca será videira" não é muito correta, e tudo pode se acomodar.

Sim, nada contra, mas a escola e os professores devem ser especialistas. 

Afinal, os componentes dessa turma de educandos carecem do entendimento propiciador dos comportamentos sociais condizentes com a paz.  

Longe de nós qualquer tipo de preconceito, mas a paz, a tranquilidade, a harmonia são bens públicos passíveis de exigência do poder público. 

As autoridades não podem negar-se a cumprir a legislação pertinente ao assunto, sob a alegação de que "a culpa" de todas as perturbações seja das "vitimas". 

Aceitar essa tese é o mesmo que validar o crime do exercício arbitrário das próprias razões (linchamento).

Em todo caso, apesar dos esforços da parentela e da comunidade em tentar fazer funcionar programas avançados de computador em suportes físicos inadequados, ou de outorgar a gerência dos negócios comerciais a pessoas habituadas aos trabalhos de reciclagem, a cidade torce para que todas as quizumbas tenham bons termos. 

Eu também.

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publicado às 12:06

Revelando Segredos

por Fernando Zocca, em 20.07.14

 

 

Nas reuniões dos grupos onde não há a sinceridade é muito comum a troca da identidade de um ou outro componente quando então se fala dele, na presença dele mesmo, sem que ele nem perceba.

Por exemplo: o José foi ao Fórum durante a tarde e, à noite, quando participa da reunião da associação dos moradores do bairro, pode ouvir durante longos minutos, a arenga de que o "Joaquim" ficou o dia todo no Fórum "mexendo" com papéis e "aprontando" alguma coisa. 

Se a Maria, mulher do José, por um motivo ou outro deixou de mandar capinar o quintal, o José poderá ouvir que a "Márcia" é uma "braço curto", preguiçosa e que na casa dela nem mesa e cadeira tem.

Quando o filho do José bate de forma estrepitosa na porta do banheiro da sua casa, haverá a possibilidade de o José experienciar os comentários de que o filho do "Joaquim" é agressivo e violento.

Essa simulação toda, perdurante por anos e anos a fio, teria por base a crença de que o tal José seria portador de um segredo, de uma verdade criminosa, sobre a qual, se perguntado diretamente, ele, com certeza, negaria.

Essa troca de conformidade ocorre também nos delírios psicóticos nos quais o doente elabora uma situação na qual ele "faz" o outro experienciar o que ele mesmo está sentindo.

Assim, se a comunidade aplaude o José, por seus feitos, o Laerte, com ciúme, dirá que, na verdade, o José está abandonado, isolado, sendo sua presença completamente dispensável.

O que o Laerte faz, com essa projeção, é compensar - para manter o seu prestígio, e a liderança, no grupo familiar - algumas deficiências que podem ser estruturais, (morfológicas) e culturais como o analfabetismo.

Nesse relacionamento fingido, desleal, entre a associação dos moradores do bairro e o indivíduo, os feedbacks alimentados por mexericos são danosos e, se não obstados a tempo, podem tornar-se boatos causadores de danos morais terríveis. 

Da calúnia pode surgir o assédio moral criminoso (objetos do tráfico de influência nas entidades de classe e governamentais), exercido pelo próprio grupo frequentado pela vítima.

Não há dúvidas de que a personalidade machista-intolerante-excludente, da maioria dos integrantes grupais, é refratária aos ensinamentos cristãos.

Nessa vicissitude, a frase "Deus me livre dos amigos, porque dos inimigos cuido eu", é bem propícia. 

 

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publicado às 13:28

Mãe Gentil

por Fernando Zocca, em 06.11.13

 

 

Brigas constantes, discussões intermináveis, reclamações  e queixas sobre atitudes opressoras, dos mais fortes contra os mais fracos realçariam os lares onde a atenção para a adoração religiosa seria bastante frágil.

 

Nestas formações não seria incomum a tentativa da manutenção da coesão interna familiar com a eleição de um inimigo ou adversário externo.

 

Entretanto quando esta política é frustrada, toda aquela agressividade voltar-se-ia para dentro, isto é, contra os componentes do grupamento tumultuado.

 

Perceba que seriam as reações do "inimigo" de fora as verdadeiras alimentadoras da coesão do tal grupo habituado a agredir.

 

Na dinâmica interna do ajuntamento agressor, a submissão, o controle e a obediência incondicional seriam indispensáveis, sob pena das consequências gravíssimas como tempos de azar sem fim.

 

Desta forma, os adolescentes ou pré-adolescentes que deixariam de cumprir as determinações ditatoriais sofreriam ameaças e castigos severos que poderiam ser os do empobrecimento e da indigência.

 

Na verdade, num grupamento familiar deste tipo, nota-se a carência educacional. 

 

O contato com jornais, livros e noticiários das rádios e TVs limita-se pela escassez do vocabulário, obstáculo impeditivo da diluição da pertinácia, da obsessão danosa.

 

Na teima patológica observa-se o ressentimento, gerador muita vez, do falso testemunho, elemento básico da "prostituta das provas" no judiciário.

 

Não poderia o "carente vocabular" compreender a remissão das faltas daqueles que  contra ele infringiram, e o indulto das suas próprias, pelo Criador.

 

Educação, instrução básica, é o que falta para que haja o fortalecimento da cortesia, da tão necessária civilidade.

 

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publicado às 13:49