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Situação probatória

por Fernando Zocca, em 09.01.14

 

 

 

Segunda-feira geralmente é o dia do mau humor. Neste período da semana é mais comum ouvir reclamações, queixas, zumbidos, e muita, mas muita maledicência.

 

Explica-se o fenômeno por serem os dias precedentes - sábados e domingos - os momentos em que uma grande parte da população dedica-se aos divertimentos fazendo festas, churrascos e bebedeiras causadoras das ressacas imensas, responsáveis pelos comportamentos antissociais.

 

Acredita-se que seja a sexta-feira, ao contrário das segundas, o dia mais feliz, por conter as expectativas do final do expediente, e a possibilidade mais próxima dos encontros com os amigos para os festejos costumeiros. 

 

O zunzunzum-grave-queixoso torna-se mais intenso quando à tal ressaca, além do álcool e do tabaco, soma-se o uso das drogas ilícitas.

 

Dai, meu amigo, da mesma forma que as enchentes, com suas águas turvas, avassala o território invadido, o resultado das intoxicações domina as ações dos indivíduos, conduzindo-os às  reprováveis atitudes danosas.

 

Você pode até ficar encafifadíssimo com o gosto, e os possíveis efeitos nocivos do arroz feito naquela velha panela elétrica ganha de presente, mas pode ter a certeza de que seus males chegarão antes se se dedicar aos condenáveis hábitos intoxicativos.

 

Os ressentimentos são mais intensos nos prisioneiros dos vícios. O comum entre o beber compulsivamente tirando o indivíduo da chamada normalidade, e o comer demais, que exagera as dimensões das pessoas, é a ingesta desmedida.

 

A responsabilização de alguém como o causador do seu estado atual, e a busca da sua destruição, pode ser o resultado das conclusões obtidas sob os efeitos das intoxicações. 

 

Não é verdade? 

 

Os especialistas garantem que menos pinga ruim poderia até melhorar o clima no mundo. Sim porque se a grande massa adoradora, consumidora desse produto, bebesse uísque, não haveria necessidade de tanta cana plantada e muito menos os incêndios feitos para a colheita dela.

 

Não é verdade? 

 

Sob os efeitos malignos da intoxicação criam-se e se propagam os boatos, as calúnias, ocorrem as relações incestuosas com todas as suas consequências.

 

Não é verdade? 

 

Mesmo que o garanhão não possa "dar bobeira", a multiplicidade dos parceiros sexuais, na humilde residência, pode ser um desafio a mais, naquela importante situação probatória.

 

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publicado às 15:04

O Equilíbrio

por Fernando Zocca, em 10.12.11

 

                O blog O Farol publicou quarta-feira, (07/12), um texto interessantíssimo sobre a compulsão do falar descontroladamente.

       Trata-se de uma afecção mental semelhante a outros transtornos obsessivos compulsivos como o vestir somente uma cor de roupa, bater no batente das portas quando passa por elas, ou voltar depois de ter iniciado o trajeto, para confirmar o travamento das fechaduras da casa.

       Segundo a matéria, o doente sofre com a tensão emocional proporcionada pelo ambiente familiar, em que permanece a maior parte do tempo.

       A forma com que o paciente, impotente no controle dos seus impulsos, das suas emoções, procura para aliviar-se, é a de falar muito palavras desconexas, sem sentido e repetitivas, que podem perturbar seriamente as outras pessoas do lar.

       As crianças indefesas são as mais suscetíveis de neurotização; seriam as mais vulneráveis dentre aqueles que não responderiam às provocações.

       Esse tipo de psicopata tem algumas peculiaridades tais como a grande parte do seu tempo livre, estar rodeado por crianças (geralmente enteados), vícios do tabagismo, alcoolismo e drogas pesadas.

       Quando criança o obsessor teve no pai negligente, a grande fonte de inspiração; era um sujeito criminoso, punidor, violento, cruel, impiedoso, viciado em drogas, álcool e tabagista.

       O governo federal tenta agora criar um programa de recuperação de milhares de pessoas, jovens e adultos, viciados em crack.

       Dessa intenção consta a possibilidade do internamento involuntário do viciado. É bom lembrar que o recolhimento contra a vontade do sujeito, promovido pela autoridade legalmente constituída, não é nova entre nós.

       A legislação, se não me engano, da década de 1930, já previa a segregação, em manicômios, das pessoas que, por transtornos psiquiátricos, promovessem desordens, tumultos, depredações e patenteassem reiteradamente, a inconformidade com as boas regras do viver em paz.

       Houve um movimento recente de desativação dos hospitais psiquiátricos, por terem eles perdido as funções principais, que eram as de recuperar, reeducar e ressocializar os ali inseridos.

       Os algozes precisam saber que a falta de educação, de civilidade e de bons modos, têm limites. E que estes, podem ser os dos muros, daquele velho manicômio. 

    

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publicado às 21:59

O Pior cego é o que não quer ver

por Fernando Zocca, em 09.09.11

 

              - Ela estava na piscina do clube se agarrando com um sujeito. Em volta deles havia uma turma do barulho. A zoeira que eles faziam chamou a atenção da diretoria que mandou um dos empregados reprimir a vergonheira.

                - É sério? – Naldo “puxando ferro” no quarto, aos pés da sua cama de solteiro, não podia acreditar no que dizia a irmã.

                - É verdade todo mundo viu. A doidinha tava na maior beijação com Alcindo, aquele que foi namorado dela. Lembra? – confirmou Silvinha.

                Baixando os halteres ao solo, Naldo agarrou a barra fixada nos batentes da porta, iniciando as dez primeiras flexões da série de cinquenta.

                O suor escorria-lhe pelo corpo empapando o short amarelo.

                - Eu não estou acreditando. Vocês falam muita mentira. Deixa ela vir aqui, que eu vou conversar.

                - Mas você é louco Naldo. A menina bota o maior chifre em você, na frente de todo mundo e você não fala nada? – desesperou-se Silvinha.

                - Vocês estão querendo que eu termine com ela. Estão com inveja. – Defendeu-se o atleta.

                Percebendo que não conseguiria arrancar uma postura hostil do irmão contra aquele projeto de cunhada, Silvinha saiu do quarto, indo direto para a cozinha onde a mãe preparava o jantar.

                Notando estar só, Naldo vestiu uma camiseta branca, o seu velho par de tênis e, capturando a bicicleta preta, jacente num canto da garagem, saiu para a rua.

                - Vou pra academia malhar. – avisou ele ao passar pelas mulheres que conversavam.

                - É uma besta mesmo. Todos lá no clube sabem que a Eliana está ficando com o Alcindo e esse tonto nem se toca. Até no bar do pai dela o comentário é geral. – Queixou-se Silvinha para a mãe.

                - Nem ligue Silvinha. O Naldo sabe o que faz. Vai ver ele não quer nada sério com ela. É só um passatempo.- Consolou a mãe enquanto fritava as batatas.

                - Pode não querer nada com ela, mas que está feia a situação está mesmo. Tenho até vergonha de entrar no clube. Bom, mas deixa eu ir embora que o Túlio já está chegando lá em casa pra jantar.

                - Mãe, põe na cabeça desse moleque que ele deve largar a vadia. – pediu Silvinha ao arrancar com o carro importado, depois das despedidas usuais.

6/09/2011. 

                

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publicado às 01:45






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