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Travessia

por Fernando Zocca, em 01.12.15

 

O Papa Francisco disse recentemente que o homem, diante das mudanças que vem causando ao clima, está prestes a cometer o suicídio.
Estas transformações referem-se à temperatura da terra, mexida e remexida, pelas atividades industriais danosas.
Percebe-se que a queima das florestas, e também a retirada do material orgânico do subsolo, para a incineração na atmosfera, são dois dos maiores fatores contribuintes da devastação do local onde vive a humanidade.
A motivação para a destruição das florestas é basicamente a instalação dos pastos, para a criação do gado, com as finalidades econômicas.
O motor da subtração do petróleo, das camadas profundas da terra, é a alimentação dos produtos das indústrias automobilísticas.
Ou seja essa atividade econômica - fabricação de automóveis e seus combustíveis - requerem certa destruição da terra.
Essas riquezas todas produzidas sustentam governos que, teoricamente, deveriam proporcionar a melhoria da vida dos seus governados.
No entanto não é bem isso o que acontece. O produto dos impostos é mais usado na sustentação da vida particular luxuosa dos corruptos, seus familiares e amigos, do que em favor dos trabalhos que objetivam a melhoria da vida do cidadão eleitor.
Mesmo que a corrupção pudesse ser extirpada, como extirpa-se um nódulo canceroso, a deterioração do local onde residem os seres humanos, não deixaria de ser continuada.
Os governos orientam-se por regras praticamente fixas, da mesma forma que os motoristas, ao dirigirem seus carros.
Então é praticamente indiferente se este ou aquele condutor seja vermelho ou azul. As ações que ambos tomarão, diante dos problemas surgidos, durante o percurso, são específicas.
Nas navegações aéreas feitas nos balões, ou nas grandes travessias oceânicas com navios, quando em queda, ou na iminência do naufrágio, durante as tempestades, uma das medidas adotadas sempre foi a de livrar-se do excesso de carga. Ou seja, tudo o que obstava a manutenção da estabilidade, era lançado fora.
Alguns governos, empresários e administradores sabem disso: os primeiros privatizam; os segundos e terceiros, despedem empregados, vendem móveis e até imóveis dos seus patrimônios.
O que na verdade falta, e muito, neste momento do encerramento da era industrial é a solidarização. A compaixão é menos valorizada do que a satifação egoica dos desejos próprios.
Não tem mais valor o sofrimento do semelhante, sua pobreza, miséria, doença, do que a satisfação pessoal dos tais escolhidos para gerir os interesses deles.
Comprovada a culpabilidade dos indiciados por crimes de corrupção, devem eles sofrer as penas das leis sob pena do descrédito total das instituições.
Durante as travessias das planícies algumas manadas sofrem o cerco e os ataques dos animais ferozes. Nem por isso a marcha é detida, mesmo que à imolação se submetam os mais fracos, velhos e imaturos.
É claro que todos os princípios do direito, bem como a observância do direito à defesa, devem ser garantidos.

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publicado às 12:44


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